Estou cedendo a minha casa para algumas pessoas desconhecidas realizarem uma festa. Não sei bem se vou participar, pois, para entrar na festa terei que pagar horrores pelo "convite". Além do mais, não terei liberdade para circular pelas dependências da minha residência, visto que cedi o espaço para essas pessoas, que não estão nem aí se eu vou ficar ou não confortável na minha própria casa.

Paguei muito caro pela reforma. Isso mesmo, tive que reformar alguns cômodos da minha casa com o meu próprio dinheiro. É claro, você acha que eu vou receber meus convidados desconhecidos numa casa sem pintura, sem reboco, sem estrutura? Fiz uma rápida reforma, pelo menos, nos principais cômodos da residência. Pois é, o dinheiro acabou, por isso não tive como pagar pela reforma de alguns quartos, mas eles estão em um lugar bem escondidinho da casa. Vou fechar as portas e os meus convidados não irão ver.

A minha casa é grande e linda, mas o que eles não sabem, ou pelo menos fingem não saber, está todo desarrumada. Os lixos, móveis quebrados e toda a poeira estão escondidos em um quarto que eu costumo chamar de "quartinho da bagunça", toda casa tem, principalmente a minha. 

Então, apesar de ser linda e ter um belo jardim, como eu já disse, está toda desorganizada. Mas o que importa? Serão poucos dias para a realização da festa. Quando ela acabar, todos os convidados irão embora e nem se lembrarão mais de mim. Com certeza, deixarão toda a bagunça para eu arrumar. Tirarei todo o lixo, móveis quebrados e a poeira do quartinho da bagunça. Aí, tudo voltará ao normal. Vou limpar, reorganizar e voltar à vidinha de sempre, samba, funk ostentação, novela, BBBs, MAIS futebol e, o mais importante, o meu Bolsa Família continuará existindo. Afinal, como diz o provérbio popular, quem meu filho beija minha boca adoça.


Fernanda Melo é jornalista, formada pela Unibahia.
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